Começou! Giro d’Italia Etapa 1

E começou hoje o 99º Giro d’Italia, num contra relógio de 9,8km pela cidade de Apeldoorn na Holanda.

A cidade de 140.000 habitantes que recebeu em 2011 o campeonato mundial de pista, a largada da etapa de hoje é na rampa do belíssimo velódromo:appeldorn-velodromo

Desde 2012 o Giro não começava com um contra relógio individual, para a edição 2016 a organização preparou além da etapa inicial um contra relógio individual em Chianti de 40.4km e uma crono escalada individual nas Dolomitas de 10,8km.

 

Um percurso muito técnico com curvas de 90º define nesse momento o primeiro maglia-rosa de 2016.

 

apeldoorn

 

Vídeo de reconhecimento:

As camisas do Giro d’Italia

O Giro d’italia é uma criação da Gazzetta delo Sport o ‘jornal rosa’ de esportes na Itália, você pode conhecer um pouco da história aqui, desde 1931 a distinção do líder da prova é dada pela camisa rosa, a “maglia rosa”.  Ela é destinada ao líder em tempo da prova ao final de cada etapa, e a mais importante da competição.magliarosa

 

A camisa azul, de scalatore o lider de montanha foi instituída em 1933, era a maglia verde e desde 2012 é azul por conta do patrocinador Banco Mediolanum, apenas 9 ciclistas ganharam a camisa de escalador e geral no mesmo ano, entre eles claro Binda, Bartali, Coppi, Merckx e Pantani o último ganhador, vale lembrar somente Merckx acumulou as três camisas de Montanha, Pontos e Geral em 1968. A camisa possui uma pontuação própria conforme a dificuldade das montanhas e o acúmulo de pontos ao final de cada etapa determina o líder.

Os pontos são distribuídos conforme a categoria das montanhas e dificuldade do estágio, onde as montanhas são categorizadas de 1 a 5

Cima Coppi – A mais alta montanha do Giro: 40-28-21-15-10-7-4-2-1

1ª Categoria: 32-20-14-10-7-4-2-1
2ª Categoria: 14-9-5-4-2-1
3ª Categoria: 7-4-2-1
4ª Categoria: 3-2-1

azzurra

 

A maglia rossa é a de líder por pontos, modalidade existente desde o primeiro giro, mas que só veio a ter distinção em relação aos demais em 1966, entre 1969 e 2009 era ciclamino ou magenta e desde 2010 voltou a ser vermelha. São distribuídos pontos conforme a dificuldade da etapa:

Etapa Plana : 50-40-34-28-25-22-20-18-16-14-12-10-8-7-6-5-4-3-2-1
Etapa Plana sprint Intermediário: 20-16-12-9-7-6-4-3-2-1
Etapa montanhosa: 25-22-20-18-16-14-12-10-8-6-5-4-3–2-1
Etapa montanhosa sprint intermediário: 10-6-3-2-1
Etapa de Alta montanha: 15-12-9-7-6-5-4-3-2-1
Etapa de Alta montanha sprint intermediário: 8-4-1

 

nizzolo

 

 

A quarta camisa da prova é a Maglia Giovani, malha branca da pureza do jovem competidor sub25 anos, introduzida em 1976, vingou até 1994 e voltou a ser distribuída em 2007. Apenas Evgeni Berzin e Nairo Quintana venceram no mesmo ano a geral e a camisa branca.

quintana

 

Já logo após a segunda guerra, entre 1946 e 1951 houve uma camisa que recebia um prêmio simbólico, a Maglia Nera, ou camisa preta que era dada ao último ciclista a completar o Giro dentro do tempo limite. Tendo como ultimo vencedor o lendário construtor de bicicletas Giovanni Pinarello.

Giovanni-Pinarello-maglia-nera-Giro-d-Italia-1951

O Giro de Merckx!

Dando sequência a postagens sobre um pouco da história centenária do Giro d’Italia, falamos na ultima postagem sobre Binda, Bartali e Coppi, em 1967 Eddy Merckx disputa seu primeiro giro ainda pela Peugeot vencendo duas etapas e terminando em novo, sua transferência para a milanesa Faema em 1968 o colocou como candidato ao título de 1968, ano que pela primeira vez o Giro testou atletas contra o doping, com 8 positivos e também o primeiro a ter um prólogo de contra-relógio.

1968

Gimondi era o homem a ser batido e Merckx então campeão mundial fez uma escalada espetacular no estágio 12 para a Tre Cime di Lavaredo para abrir distância.

1968-1

Estava iniciada uma série de vitórias que mudaria o ciclismo, Merckx venceria o Giro mais quatro vezes, levaria por pontos duas vezes e vestiria a camisa de escalador 24 vezes. Como nem tudo são flores no ciclismo, em 69 Merckx testou positivo para um estimulante na etapa de Savona e foi desclassificado, alegações de erro de manipulação, inocentado pela UCI e dois meses depois alinhava para ganhar o seu primeiro Tour de France.

A década contaria com Bertoglio, Gimondi ganhando seu terceiro giro em 76, o belga Pollentier em 77 e o também belga De Muynck levou 78, Saranni 79 para então Le Patron Bernard Hinault vencer em 1980. Que falamos no próximo texto.

Mais uma pancada com moto da organização!

Nas provas semi-profissionais as motos da organização fazem das suas também, no Red Hook Criterium etapa New York o piloto teve problemas com a moto que parou, causando um acidente enorme.

O Red Hook Criterium é uma série de competições amadoras onde os pilotos usam bicicletas de marcha fixa que ocorrem este ano em New York, Barcelona, Londres e Milão.

 

 

 

Binda, Coppi e Bartali

Seguimos com nossa série sobre o Giro d’Italia, iniciada em: Um pedaço da história do Ciclismo.

O Giro parou por 4 anos por conta da primeira grande guerra, no retorno em 1919 vencido pelo Campioníssimo Costante Girardengo que tinha grande torcida e com vários títulos se aposentaria após vencer o giro de 1925, porém não contava com a estrela crescente de Alfredo Binda, o jovem com 23 anos “roubou” a vitória de Girardengo tornando-se o primeiro grande ciclista impopular na Itália, ganhando ainda mais 4 giros, em 1930 Binda foi chamado a sede da Gazzetta e lhe foi oferecido o mesmo prêmio dado ao vencedor para ser “menos dominante”, Binda furioso recusou. Herói de Cittiglio, o museu dos transportes da cidade leva seu nome.

giro1

 

Em 1931, Armando Cougnet resolveu estabelecer ao líder da prova uma camiseta de cor distinta dos demais para diferencia-lo em meio ao pelote, era criada a camisa rosa vestida pela primeira vez por Learco Guerra após a primeira etapa de 1931 entre Milão e Mantua. Em 1933 foi introduzido prêmio de líder de montanha, ganho por Alfredo Binda que finalizou sua carreira com  41 vitórias em etapas do Giro, recorde somente batido em 2003 pelo maior sprinter de todos os tempos, Mario Cippolini.

Após aposentadoria de Binda, venceram Guerra, Gino Bartali, Giovanni Valeti, Fiorenzo Magni e o então jovem Fausto Coppi companheiro de Bartali,  veio a segunda guerra mundial e em 1946, novamente Coppi e Bartali duelam dividindo os títulos. Bartali ganhou 3 Giros e 7 vezes líder de montanha, Coppi ganhou 5 Giros e 3 vezes foi líder de montanha.

giro-coppi

A foto clássica de Bartali e Coppi trocando caramanhola mostra uma rivalidade que tinha limites claros.

A partir de 1950 o Giro se internacionalizava e competidores de todo mundo passaram a viajar para Itália em maio para participar da prova, o suíço Hugo Koblet é o primeiro estrangeiro a vencer, Coppi venceria ainda 2 vezes na década, o holandês Charly Gaul duas também. Na década seguinte destacaram-se Balmamion ganhando duas vezes, Gianni Motta e Jacques Anquetil, até que em 1968 após transferir-se da Peugeot para a milanesa Faema, o mundo conhece o Canibal Eddy Merckx, que contamos na próxima postagem.

 

Confira o documentário do Giro d’Italia de 1909 a 1959 feito pela Rai:

 

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